
Você é a pior parte de mim. O filho não quisto que eu não consegui abortar. O vomito preso que me engasga. Minha bad trip de cianureto. Meu teto preto. O acorde que eu sempre toco errado. Você é o medo ridículo que eu não conto pra ninguém. É o meu constrangimento, meu silencio, minha vontade ir embora.
É um parasita da minha mente, da minha energia. Meu tumor, minha falta de morfina. Minha apneia, meu vazio, minha negação, minha equívoco, minha ignorância, minha obsessão, meu obsessor.
Você é minha ilusão. Minha incerteza, minha fraqueza. Você sal na minha queimadura, minha ressaca moral (emocional). Você é meu lado previsível, meu lado patético, meu mal gosto. É a minha agonia, é o meu vicio, é a falta de vida. É hesitação da minha fé. A interrogação da minha inspiração, meu conformismo, meu defeito. Quando não estou pensando em você eu estou tentando te esquecer. Você é a parte que eu odeio em mim. E odeio me odiar ao invés de odiar você.