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Na porta que fecha escondendo mil e um segredos. Um desconhecido que se achega murmurando um silêncio pungente de quem nada tem a proferir.

Passos cada vez mais remotos. Uma melodia que ninguém dedilha lentamente, tantas vezes se esquecendo dos acordes que a compõe.

Adeus. Sem ultimas palavras. Estou pronta

Solidão. Não a nego, antes pelo contrário. Inculco-me a mim própria. Intrínseco da alma, dos ossos, da idéia de existência.

Essa voz que floresce dentro de mim sussurra, que sussurra no meu ouvido. Vem do vento, ou vem da luta interior contra o medo do desconhecido. Ou não passa de uma mera estratégia da mente.

Me confunde, me assusta, me traz pra dentro. Repugna o nosso apreço, a benquerença que lavramos por nós mesmos. Fecha-nos nas entranhas de uma prisão longínqua e pardacenta, da qual não escapamos por não existir outra opção. Cerrada na intimidade desse nevoeiro proibido.

Deixo-me naufragar, solto as rédias da razão e deixo que o meu intelecto se perca de uma vez. Rendo-me. Permito-me.

Arrebato este momento único com a minha veloz sinceridade e atravesso intensamente o toque suave da unicidade. Estou assim, só, comodamente só…estando só, volto a ser quando era como eu sou.

Meu muso inspira.a.dor

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Você é a pior parte de mim. O filho não quisto que eu não consegui abortar. O vomito preso que me engasga. Minha bad trip de cianureto. Meu teto preto. O acorde que eu sempre toco errado. Você é o medo ridículo que eu não conto pra ninguém. É o meu constrangimento, meu silencio, minha vontade ir embora.

É um parasita da minha mente, da minha energia. Meu tumor, minha falta de morfina. Minha apneia, meu vazio, minha negação, minha equívoco, minha ignorância, minha obsessão, meu obsessor.

Você é minha ilusão. Minha incerteza, minha fraqueza. Você sal na minha queimadura, minha ressaca moral (emocional). Você é meu lado previsível, meu lado patético, meu mal gosto. É a minha agonia, é o meu vicio, é a falta de vida. É hesitação da minha fé. A interrogação da minha inspiração, meu conformismo, meu defeito. Quando não estou pensando em você eu estou tentando te esquecer. Você é a parte que eu odeio em mim. E odeio me odiar ao invés de odiar você.

A bruxa curava doenças de coraçāo. Só 3 palavras e Plin! adeus dor de amor. O rei manda chamá-la. Inconsolável c/ a morte da rainha, recusa-se a cumprir as obrigaçōes d monarca. Foi a bruxa entrar nos aposentos reais p/ o soberano arregalar os olhos e sorrir: “Meu amor, vc voltou!” Semelhança assombrosa. Uns dizem q foi feitiço, outros q a rainha se fazia d bruxa, mas todos concordavam q o rei estava louco ao se casar c/ aquela mulher. Viva! Festa no reino, nasceu o herdeiro real. A cara do pai e o corpo da māe: um bode. 

.The End.

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A parede transparente abre-se para a minha fusão com o mundo. As raízes crescem a partir dos dedos dos pés. Minhas pernas troncos firmes, bases sólidas e estáveis. Os meus braços, ramos aflitos, reticentes, coroados de lágrimas e de pensamentos gastos e perdidos. Os ramos estendem-se na direcção do espaço aberto, prolongam o peito que se se abre em grito de dor magnificamente entoado. Os braços do meu corpo estendem-se querendo abraçar o ar em que me desvaneci, em que me sonho desfazer e transformar. Puxam as raízes inabaláveis. Agora apodrecidas. Meu corpo, árvore pendente.

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Tem gente que diz que escrever é uma terapia, que a escrita faz bem e etc… Particularmente acho isso de uma hipocrisia tamanha. É que, pra mim, terapia é tudo aquilo que traz uma solução e ponto final. E quem escreve com a alma, sabe que escrever custa muito caro. As palavras não são bailarininhas de plástico, que a gente coloca numa caixinha musical, dá corda e as vê dançando. As palavras são perigosas, elas nos fazem reféns.

Escrever é não permitir que algo morra, deixar algo no passado. Escrever é dar vida às coisas perecidas dentro de nós. Sabe criança, quando brinca com espíritos e depois fica com medo? É assim quando eu escrevo. Colocar em palavras todos os meus pensamentos, sentimentos e sensações que eu pretendia evitar. Enfio o dedo na ferida e a faço sangrar. Me vejo encarando demônios que eu deveria evitar. E por mais que depois eu desligue o computador, isso têm vida própria. Quando eu fecho a tela, as letras ficam dançando aqui, secretamente. E o meu estômago se revira, e a minha alma tem espasmos.

Percebam que a minha escrita é bem pobrezinha. Leio gente por aí que escreve bonito e difícil, mas eu não sei fazer isso. Escrevo do jeito que penso. Do jeito que eu sinto. Minha melancolia  e simples e confortável, assim eu, são as minhas palavras, e também os meus pensamentos. Então vim aqui expressar do sofrimento que a escrita causa.  Agora minha alma já agoniza. Minha alegria ainda está aqui, mas eu a fiz sangrar porque glória nenhuma inspira artista nenhum, por mais talentoso que seja. Porque só assim eu posso escrever. Assim é a escrita, deliciosa e torturante. Mas nada terapêutico…

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Existem pessoas que causam um mal imenso dentro de voce.

Quando se é hiper-sensivel, torna-se impossível defender as ameias da escuridão que envolve os corredores. Você está negro, não enxerga um palmo a frente do nariz nesse breu. Está perdido dentro do castelo de pedra que você próprio ergueu. É como se as portas e paredes tivessem mudado de lugar.

Estou fazendo a contagem da baixa nos meus exércitos. Estou transferindo para o hospital dos inválidos os soldados mutilados, e para os incineradores, os mortos. Estou convocando os sábios para aconselharem os que ficaram insanos. Estou tratando dos meus feridos.

Mas, mesmo completamente desfalcados, sem alguns braços, mãos, pernas e até cabeças, triunfamos.

 

“Hell is empty and the devils are here.”

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Criou-se um mundo onde todos acham que tem que salvar e serem salvos o tempo inteiro. Não dizer ao seu próximo o que ele deveria fazer, segundo as regras da conduta social, dá pena de morte espiritual. E como todos querem ser imortais… queime!

De tanto ouvir que ‘não é legal’, que ‘você não deveria ter feito assim’, que ‘ele vai se sentir mal’, que ‘ela vai achar que você não tá nem aí’, que você ‘deveria ligar’ etc etc etc, nos tornamos todos infiéis a nós mesmos. Porque hoje eu deveria estar lá, e não aqui? porque hoje é dia de estar lá, como todos estão lá, muito longe daqui. mas eu não quero. Então eu queimo…

E de tanto nos esforçarmos para andar nessa linha de conduta, no momento em que são os outros que em relação a nós, são fiéis a si mesmos, nós surtamos. “não era para ter sido assim!”. Mas, e depois de um tempo, “por que?”. seria tão ruim assim se fosse de outro jeito?

O tempo inteiro estamos afundados em situações onde nossos desejos são diferentes do que queríamos fazer. Não estou falando de deveres e obrigações, pois deixar de cumpri-los implicará em conseqüências já pré-estabelecidas. O melhor passo para ser livre e feliz é sair dessa linha de conduta. Se afastar do que esperam que você faça e esperar que o outro faça alguma coisa. é dar e receber por si mesmo, e ser fiel a si mesmo. Ao invés de confrontar as situações com decepção, refletir em si. Será que foi realmente tão penoso? será que é errado… ou apenas diferente? e se fosse o contrario?

Por um tempo, perdi uma das minhas principais características… a fluidez, a capacidade de ser extremamente flexível e adaptável. Acho que a perdi por ter me rendido à essa linha de conduta imaginaria, que nos torna incapazes de improvisação. Nenhum caminho é reto, logo, se você segue uma linha, você não esta seguindo nada.

 

Voltei a fumar (quem disse que eu não deveria?)

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Nada é de graça, nada nos é dado, não existem presentes, somente trocas.

Troquei a libertinagem por uma alça diatérmica, a frieza pela insegurança, o silêncio pela cultura, muitos por um só, desenhos por letras, cor por não-cor. Troquei de cama, troquei alienação por Lexapro, troquei raiva por cinco pontes de safena, troquei não ter filhos por ter medo. Troquei gritos por Johnny Cash e amnésia por cerveja. troquei a estabilidade por um milhão de orgasmos. Virei o próprio escambo.

Minha pele é a mesma, essa eu nunca vou trocar por nada, vou apenas multiplicá-la. As pérolas em volta dos meus pulsos são novas; as troquei pelo conformismo velho que repousava sobre minha cabeça.