
Na porta que fecha escondendo mil e um segredos. Um desconhecido que se achega murmurando um silêncio pungente de quem nada tem a proferir.
Passos cada vez mais remotos. Uma melodia que ninguém dedilha lentamente, tantas vezes se esquecendo dos acordes que a compõe.
Adeus. Sem ultimas palavras. Estou pronta
Solidão. Não a nego, antes pelo contrário. Inculco-me a mim própria. Intrínseco da alma, dos ossos, da idéia de existência.
Essa voz que floresce dentro de mim sussurra, que sussurra no meu ouvido. Vem do vento, ou vem da luta interior contra o medo do desconhecido. Ou não passa de uma mera estratégia da mente.
Me confunde, me assusta, me traz pra dentro. Repugna o nosso apreço, a benquerença que lavramos por nós mesmos. Fecha-nos nas entranhas de uma prisão longínqua e pardacenta, da qual não escapamos por não existir outra opção. Cerrada na intimidade desse nevoeiro proibido.
Deixo-me naufragar, solto as rédias da razão e deixo que o meu intelecto se perca de uma vez. Rendo-me. Permito-me.
Arrebato este momento único com a minha veloz sinceridade e atravesso intensamente o toque suave da unicidade. Estou assim, só, comodamente só…estando só, volto a ser quando era como eu sou.








