
Mas, em algum momento, o corpo grita, porque a mente está adormecida, em coma. O corpo é o outro de nós mesmos, a barca de caronte rasgando os oceanos irritados. A água inunda e vaza pelos olhos e, aparentemente, não consegue se entender o porquê da correnteza ter se alterado abruptamente. Entende-se somente que o tempo mudou, que o ciclo das águas tornou a girar e deve-se pensar um outro caminho de modo que a barca nao se inunde e o que emerge os passageiros os afogue. É preciso repensar o caminho, pois a vantagem do oceano é que não ha. limites, como nas estradas, ou sentidos obrigatórios. Têm-se a máxima liberdade de optar qualquer trajeto, pois não há linhas, começo ou fim. Ha. somente a imensidão de quem quer sair do lugar.